quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Espiritismo e a Questão Social

Escreve: Deolindo Amorim

Embora se preocupe diretamente com a vida futura ou extraterrena, não deixa o Espiritismo, todavia, de cogitar do bem-estar humano, discutindo os aspectos fundamentais da questão social. Não se pense, pois, que a Doutrina Espírita seja omissa nos pontos essenciais da vida terrena. E tanto é verdade, que o Espiritismo encara a questão social com realismo, situando-a racionalmente no ângulo em que ela se encontra. Neste ponto, conquanto não concorde com a solução puramente científica, divergindo assim, da dialética materialista de Engels e de Marx, o Espiritismo é objetivo, é muito objetivo até, porque não é nas regiões etéreas nem pela prática de penitências, mas no mundo material, pelo aperfeiçoamento das próprias instituições sociais, que procura a solução da luta entre o capital e o trabalho.

Embora o conflito social, que não é deste século, mas um fenômeno peculiar ao desenvolvimento da civilização, tenha a sua origem nas relações humanas, não pode ser resolvido exclusivamente por meios materiais. Coerente com este princípio, o Espiritismo não esposa a tese materialista e analisa a questão à luz de outra ordem de ideias. Neste momento de confusão universal, talvez nem todos os estudiosos dos problemas sociais, incluindo-se possivelmente alguns espíritas, tenham procurado conhecer o pensamento da Doutrina a respeito da questão social.

O materialismo admite o nivelamento geral enquanto que a Doutrina Espírita explica as desigualdades à luz da reencarnação, valendo recordar que a dialética materialista considere o assunto como sendo problema fundamental da sociedade e tendo natureza econômica.

Ora, a questão social existe, sim. Os problemas são evidentes. Mas o Espiritismo e o materialismo histórico encaram a questão por prismas diferentes. O Espiritismo não nega a existência da questão social, uma vez que a má distribuição da riqueza, produzindo a opulência de uns e a miséria de outros, é um fato notório e incontestável. A Igreja Católica Romana também reconhece que a riqueza não está sendo distribuída com equidade, pois não é outro o pensamento da encíclica Rerum Novarum. (1)

A questão social existe porque há desarmonia entre o capital e o trabalho, determinando o conflito de classes. Mas as soluções propostas são desiguais, de acordo com as divergências filosóficas.

Tomando-se por premissa a negação da existência da alma, está claro que o materialismo não pode chegar à conclusão espiritualista, dentro de cuja concepção o problema do homem não é exclusivamente econômico. O Espiritismo, neste particular, não diverge da Igreja, porque ambos admitem, sem qualquer atrito filosófico, três pontos primordiais: a) existência de Deus; b) imortalidade da alma; c) preponderância do princípio moral. Até aí não há divergência. A discordância entre o Espiritismo e a Igreja, em matéria filosófica, começa quando se abre a questão reencarnacionista. Embora seja também espiritualista e tenha, como o Espiritismo, aqueles três pontos de coincidência, a Igreja não admite a reencarnação e, por isso mesmo, não pode apreciar as desigualdades sociais com a mesma visão da Doutrina Espírita.

Não aceitando o princípio da igualdade absoluta, justamente porque a concepção igualitária entra em conflito com a teoria da reencarnação, o Espiritismo prescreve, todavia, solução pacífica, condicionada ao progresso moral. Pouca gente, porém, sabe o que diz a Doutrina Espírita acerca do debatido e complexo problema social. É o aspecto menos estudado no Espiritismo. Entretanto, não conheço orientação mais segura, mais equilibrada do que esta que encontramos em Obras Póstumas, de Allan Kardec (9ª edição, pág. 361): “Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhes desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio.”

Como se vê, a reforma social exige, antes de tudo, a reforma do individuo. Nenhuma transformação violenta resolve o problema do equilíbrio social sem obter, primeiramente, o progresso moral pela educação do espírito. A chave da questão social não está na subversão radical das instituições, porque ainda que se substitua a estrutura da sociedade ou se dê nova organização ao Estado, sem elevar o nível moral das massas, haverá os mesmos choques, uma vez que o egoísmo humano subsiste em qualquer situação. Só se poderá aperfeiçoar o mecanismo social com o gradativo aperfeiçoamento individual. A tese espírita, portanto, é realista, senão talvez a que menos se aproxima da utopia, porque se baseia no conhecimento da natureza humana.

Temos aqui, neste pequeno trecho, a interpretação da luta entre o capital e o trabalho, à luz da Doutrina Espírita: “A questão social não tem pois, por ponto de partida a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no MELHORAMENTO MORAL dos indivíduos e das massas. Aí é que se acha o princípio, a verdadeira chave da felicidade do gênero humano, porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente.” (Allan Kardec em Obras Póstumas, já citado).

Não aceito a tese comunista porque não vejo traço de afinidade entre Comunismo e Espiritismo. Não creio que a questão social possa ser resolvida satisfatoriamente por meio da solução econômica, quando é certo que as necessidades do homem não são apenas as de ordem material. O problema econômico não contém em si mesmo toda a extensão e complexidade da questão social. Portanto, a problemática das desigualdades sociais não se subordina, exclusivamente, ao desajustamento econômico. Ela reclama indagações de maior transcendência, acima do plano material, embora prevaleçam, é bem verdade, até certo limite, as causas de ordem biológica.

De acordo, pois, com a Doutrina Espírita, não creio na solução materialista. Não encontro semelhança de concepções entre a doutrina materialista e a Doutrina Espírita, porque reconheço a prevalência de três razões que considero substanciais:

a) O Espiritismo, dada a vocação de sua doutrina, está em desacordo com o materialismo, e, portanto, encara a questão social sob ponto de vista diferente.
b) Em face da reencarnação, a pedra filosofal do Espiritismo, a igualdade absoluta é impossível, sob pena de derrogação da Justiça Divina.
c) O problema da felicidade humana, tendo raízes profundas no Espírito, e não exclusivamente na matéria, está condicionado à reforma moral do indivíduo, porque na sociedade composta de indivíduos desorganizados e corrompidos, não pode gozar-se a plenitude de paz e de justiça.

Quando, pois, o indivíduo é mau, nenhum regime consegue convertê-lo em homem de bem, sem que ele se reforme interiormente. A Doutrina Espírita prescreve, exatamente por isto, a reforma do indivíduo para que se possa reformar o grupo. E sem a reforma individual, sem a observância do fator moral com base na existência do Espírito, não se destrói o antagonismo social provocado pela luta de classe e pela desproporção dos bens materiais.

Se, sob o aspecto filosófico, vejo profunda divergência entre o Espiritismo e o Comunismo, porque aquele apoia toda a sua filosofia na existência e sobrevivência do Espírito, enquanto este se baseia no materialismo histórico, não é menor a discordância sob o ponto de vista político. Ora, politicamente o Comunismo admite o direito do Estado sobre a propriedade privada, o que está em desacordo com os princípios espíritas. Veja-se Allan Kardec em O Livro dos Espíritos (Parte Terceira, cap. XI). O regime que melhor corresponde à índole da Doutrina Espírita é a democracia, porque a estrutura filosófica do Espiritismo não se adapta a nenhuma forma de poder totalitário. O nacionalismo estreito é tão contraproducente quanto o internacionalismo incondicional. A democracia é regime de conciliação, de equilíbrio, porque repele instintivamente qualquer hegemonia e permite a participação de TODOS no progresso comum, sem distinção de classes.

O sistema democrático, embora sujeito a deformações humanas, também evolui, marchando para o reinado pacífico da grande democracia cristã. Os exclusivismos são prejudiciais à ordem social, porque o progresso da sociedade depende da cooperação de todas as classes e não apenas de uma só classe.

A democracia cristã não comporta a precedência de nenhuma classe social sobre as outras, mas, ao contrário, oferece oportunidade para o bem-estar coletivo, o entendimento, a solidariedade, dentro da Justiça Social iluminada pelo Evangelho. Qualquer ditadura, seja de um indivíduo ou de uma classe, de um partido ou do Estado; seja do capitalismo ou do proletariado, da cruz ou da espada, da ciência ou da fé, não oferece ambiente propício à livre manifestação do pensamento porque é sempre unilateral. Dentro de um regime democrático não pode subsistir qualquer exceção de classe em detrimento da liberdade humana.

A questão social deixará de ser o pesadelo da civilização quando cessar a exploração do homem pelo homem com a socialização do capitalismo. O Estado é entidade abstrata. Logo, não é o Estado que traz a felicidade geral. O Estado é bom quando os homens são bons. O maior problema, portanto, é melhorar os homens. Creio, nesse caso, que a Democracia Cristã, sem o predomínio de uma classe ou de outra, mas pela união de todas as classes, realizará a maior missão social da História, resolvendo o conflito entre o capital e o trabalho, para o bem-estar geral.

Por todas estas razões é que à luz da Doutrina Espírita não aceito a tese materialista nem qualquer doutrina que reconheça a supremacia do deus Estado. Creio, finalmente, que a questão social, segundo a concepção da Doutrina Espírita, será resolvida, cedo ou tarde, mas pelo processo normal de evolução.

A desarmonia entre as classes (patrões e empregados, ricos e pobres, chefes e subordinados, governantes e governados) não será destruída pelo providencialismo de uma fórmula ou de um sistema, e sim pela compreensão recíproca, pela exatidão de consciência, pelo sentimento de tolerância, quando cada um, em qualquer circunstância ou posição em que se encontre, sem que se faça necessária a fiscalização ou a rigidez da lei, souber viver e agir dentro da sabedoria universal do DEVER.


Fonte: Mundo Espírita, dezembro de 1945. Periódico espírita de Curitiba-PR, órgão de divulgação da Federação Espírita do Paraná. Esse artigo foi incluído no livro Análises Espíritas, de Deolindo Amorim, compilação feita pelo escritor espírita Celso Martins e publicado pela Federação Espírita Brasileira.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O QUE É QUALIDADE DE VIDA?


O termo qualidade de vida, de fato, tem sido muito utilizado ultimamente, mas não há consenso sobre sua definição.É importante lembrar que a qualidade de vida tem algo de subjetivo, ou seja, próprio de pessoa para pessoa.Qualidade de vida é quase um chavão hoje. Nos textos e nas conversas, ela aparece como afirmação que dispensa explicações:quem escreve ou fala tem a certeza de que quem lê ou ouve sabe do que se está falando. Acontece, porém, que quem lê ou ouve pode estar pensando em coisas totalmente diferentes.
Muitos são os fatores que influenciam na qualidade de vida e os mais importantes dependem de cada um de nós, da nossa visão do ideal, da nossa herança familiar e cultural, da fase da vida em que estamos, da nossa expectativa em relação ao futuro, das nossas possibilidades, do ambiente, da visão que temos do mundo e da vida, dos nossos relacionamentos, etc.É claro que existem certas condições básicas, como:ter o que comer, morar, saúde, liberdade de escolha... Quando elas não existem, tornam-se prioridade número um e não há muito o que discutir.O ser humano, infelizmente, não raro vive em um constante mal-viver. Em outras palavras, pode-se afirmar que ele não tem, ou tem poucos momentos de felicidade e prazer. Isso faz com que se tenha também maior suscetibilidade às doenças.Sobre esta questão nunca é repetitivo demais dizer que ter quantidade de vida é importante, mas é diferente de ter qualidade de vida.

A qualidade de vida do ser humano, no sentido amplo da expressão, somente é compreendida se for captada nas suas múltiplas dimensões, como a vida no trabalho, a vida familiar e a vida na sociedade, a espiritualidade, enfim, em toda a vida.
O interesse em conceitos como “padrão de vida” e “qualidade de vida” foi inicialmente mais de interesse de cientistas sociais, filósofos e políticos, pois estava muito ligado à diminuição da mortalidade ou ao aumento da expectativa de vida. Posteriormente, foram-se acrescentando outros parâmetros.
O Grupo de Qualidade de Vida da divisão de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde, por exemplo, definiu qualidade de vida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
O mesmo Grupo enumerou algumas características importantes para a avaliação da qualidade de vida. Vejamos: Percebe-se, por estas características, que qualidade de vida envolve um conjunto de fatores que devem existir para uma vida melhor. Isso quer dizer que a qualidade de vida passa pela necessária mudança de comportamento, vivência de valores, crescimento profissional e humano, disciplina e respeito, cuidados com os ambientes, atenção à saúde, vivência de uma espiritualidade...Vivemos no mesmo espaço e nossas vidas constituem-se de trocas cotidianas. Como seres sociais, queremos e precisamos do auxílio de outras pessoas no processo de construção da vida particular e grupal, etc.
E sendo a liberdade uma das características no processo felicidade/qualidade de vida, como posso ter qualidade de vida se necessito conciliar e integrar a minha vida com a vida de outras pessoas? Leonardo Boff, falando sobre este dilema, afirma que a característica principal dessa integração é a cultura da solidariedade, que envolve:
• Valores: gratuidade, reciprocidade, cooperação, compaixão, respeito à diversidade, complementaridade, comunidade, amor.
•Princípios: autogestão, respeito à diversidade / complexidade, convivência solidária com a natureza e cuidado com o meio-ambiente, democracia, descentralização / desconcentração do poder, das riquezas, dos bens...
• No novo projeto de desenvolvimento deve haver, portanto: primazia do trabalho sobre o capital, economia a serviço do social, tecnologia que não agrave o desemprego e a poluição da natureza, etc. Nesta perspectiva, toda a qualidade individual é, de certa forma, uma qualidade coletiva.Uma das questões centrais da reflexão sobre qualidade de vida está no trabalho, que deveria ser fonte de prazer e satisfação: o prazer no processo, o prazer em ver o trabalho pronto e o prazer que o produto final propicia às pessoas.No entanto, não é esta a racionalidade presente nas organizações e instituições. A lógica predominante é a dos negócios, sustentada pela defesa das leis do mercado.A qualidade de vida não está à venda como se fosse um item da moda ou de um supermercado, também não a conseguimos adquirir de um dia para o outro.A verdade é que, considerando a máxima que “a única coisa permanente é o constante processo de mudanças”, precisamos estar sempre nos reposicionando e perguntando:
Estou sendo feliz no que faço (trabalho, lazer, vida familiar, etc.)?
Meus objetivos/planos/metas ainda são válidos para as atuais condições?

Do que tenho aberto mão em função das atuais opções?
O que estou fazendo para que outras pessoas também tenham mais qualidade de vida?
O que posso fazer para ser mais feliz na diversas dimensões da vida?
Estes questionamentos, obviamente, não devem tornar-se um “pesadelo”, mas parte natural de um constante processo de desenvolvimento humano, fazendo da vida algo muito sagrado. A qualidade de vida é uma busca pessoal e social. Busca que deve ser constantemente reavaliada e reajustada.
A questão central é que precisamos fazer alguma coisa, “não deixar para amanhã tudo aquilo que gostaria de fazer, posso fazer e tenho condições de fazer hoje”. Temos a tendência de achar que viveremos eternamente e que, portanto, podemos adiar, mesmo as coisas boas. Não adiemos as coisas boas. Qualidade de vida tem algo de “aqui e agora”, e algo que poderíamos chamar de “planejar o futuro”.Ou seja viver bem, ter qualidade de vida,depende muito de nós mesmos,da nossa consciência,de saber diferenciar ser de estar e de ter! Pois aqui também vale a máxima e batida "Qualidade nem sempre é quantidade!".
A vida é uma só,passa rápido,e por isso devemos todos os dias nos perguntar: tenho qualidade de vida?
E para isso temos que saber o que para cada um de nós individualmente é qualidade.
Qualidade é algo que define algo bom,porém,sabemos se temos qualidade de vida,quando,ao nos perguntarmos todos os dias :tenho qualidade de vida?,a rseposta for: estou tendo uma vida boa e satisfatória em todos os âmbitos!

Postado por Katia Lopes às 11:15 0 comentários

Espiritismo e Ecologia


André Trigueiro


É urgente que o movimento espírita absorva e contextualize, à luz da doutrina, os sucessivos relatórios científicos que denunciam a destruição sem precedentes dos recursos naturais não renováveis, no maior desastre ecológico de origem antrópica da história do planeta. Os atuais meios de produção e de consumo precipitaram a humanidade na direção de um impasse civilizatório, onde a maximização dos lucros tem justificado o uso insustentável dos mananciais de água doce, a desertificação do solo, o aquecimento global, a monumental produção de lixo, entre outros efeitos colaterais de um modelo de desenvolvimento “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”.

Na pergunta 705 do Livro dos Espíritos, no capítulo que versa sobre a Lei de Conservação, Allan Kardec pergunta: “Porque nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, ao que a espiritualidade responde: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (...).

É evidente que em uma sociedade de consumo, nenhum de nós se contenta apenas com o necessário. A publicidade se encarrega de despertar apetites vorazes de consumo do não necessário ­ daquilo que é supérfluo, descartável, inessencial ­ renovando a cada nova campanha a promessa de felicidade que advém da posse de mais um objeto, seja um novo modelo de celular, um carro ou uma roupa. Para nós espíritas, é fundamental que o alerta contra o consumismo seja entendido como uma dupla proteção: ao meio ambiente ­ que não suporta as crescentes demandas de matéria-prima e energia da sociedade de consumo, onde a natureza é vista como um grande e inesgotável supermercado – e ao nosso espírito imortal, já que, segundo a doutrina espírita, uma das características predominantes dos mundos inferiores da Criação é justamente a atração pela matéria. Nesse sentido, não há distinção entre consumismo e materialismo, e nossa invigilância poderá custar caro ao projeto evolutivo que desejamos encetar. Essa questão é tão crucial para o Espiritismo, que na pergunta 799 do Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta “de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”, a resposta é taxativa: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.(...)”

Uma das mais prestigiadas organizações não governamentais do mundo, o Worldwatch Institute, com sede em Washington, divulga anualmente o relatório “Estado do Mundo”, uma grande compilação de dados e estudos científicos que revelam os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento. Na última versão do relatório, referente ao ano de 2004, afirma­se que “o consumismo desenfreado é a maior ameaça à humanidade”. Os pesquisadores do Worldwatch denunciam que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.

Aos espíritas que mantém uma atitude comodista diante do cenário descrito nessas breves linhas, escorados talvez na premissa determinista de que tudo se resolverá quando se completar a transição da Terra (de mundo de expiações e de provas para mundo de regeneração) é bom lembrar do que disse Santo Agostinho no capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao descrever o mundo de regeneração, Santo Agostinho diz que mesmo livre das paixões desordenadas, num clima de calma e repouso, a humanidade ainda estará sujeita “às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados; há ainda provas a suportar (...)” e que “nesses mundos, o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu, ali, completamente o seu império. Não avançar é recuar, e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e terríveis provas”. Ou seja, não há mágica no processo evolutivo: nós já somos os construtores do mundo de regeneração, e, se não corrigirmos o rumo na direção do desenvolvimento sustentável, prorrogaremos situações de desconforto já amplamente diagnosticadas.

Não é possível, portanto, esperar a chegada do mundo de regeneração de braços cruzados. Até porque, sem os devidos méritos evolutivos, boa parte de nós deverá retornar à esse mundo pelas portas da reencarnação. Se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água doce, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável ­ sem os flagelos previstos pela queima crescente de petróleo, gás e carvão que agravam o efeito estufa – deveremos agir agora, sem perda de tempo. Depois que a ONU decretou que 2003 seria o ano internacional da água doce, os católicos não hesitaram em, pela primeira vez em 40 anos de Campanha da fraternidade, eleger um tema ecológico: “Água: fonte de vida”. Mais de 10 mil paróquias em todo o Brasil foram estimuladas a refletir sobre o desperdício, a poluição e o aspecto sagrado desse recurso fundamental à vida. E nós espíritas? O que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O grande Mahatma Gandhi ­ que afirmou certa vez que toda bela mensagem do cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo, quando diz “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo”.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ecologia e Espiritismo

A discussão sobre ecologia atravessou várias fases, passou de um universo desconhecido a um tema um tanto batido.
Foi em uma palestra assistida há tempos que a definição de Ecologia passou a tomar corpo em minha mente.
Entender a Ecologia como equilíbrio harmônico entre o homem e a natureza pode parecer simplistaém atualmente parece ser uma utopia.
Proponho-me aqui a refletir sobre esse equilíbrio tênue e o Espiritismo.
Parto da tese de que, por definição, todo espírita deve ter preocupação com a conservação da natureza e a preservação do meio ambiente, porque a crença na reencarnação deve trazer em si a ideia de que estamos construindo hoje o mundo que habitaremos em nossas próximas vidas.
Crermos que reencarnaremos em planetas mais evoluídos nos parece uma certa pretensão quando olhamos para a história da humanidade e vemos com nitidez nossa capacidade de destruição do ambiente em que vivemos...
De qualquer modo, certamente nossos filhos e netos ainda reencarnarão nesse planeta tão judiado, e por essa primordial razão devemos tomar consciência e conscientizarmos os que estão ao nosso redor da importância de preservarmos nosso planeta.
Se considerarmos outro ponto central do Espiritismo, a lei de causa e efeito, teremos mais um ponto a favor da luta pela Ecologia.
Quando falamos em preservação, podemos dizer que a nossa maioria de nós não usa casacos de pele de animais em extinção, não caça nem mantem em cativeiro animais silvestres etc., entretanto podemos dizer que temos plena consciência dos caminhos do nosso consumo desenfreado?
Em um dia normal, quando separamos nosso lixo reciclável, ficamos boquiabertos quando vemos o volume de lixo que acumulamos.
Em nossas arrumações anuais, semestrais, são quilos e quilos de papel e de roupas que encaminhamos para doações ou diretamente para o lixo.
Por trás de todas essas ações deve haver um intencionalidade de conectar-se com o outro, com a natureza e finalmente com Deus, a intenção de assumirmos nossos papéis como agentes transformadores da realidade em que vivemos.
Precisamos aproveitar esses momentos de faxina material para fazermos uma faxina mental e mudarmos nossa forma de ver o mundo. Racionalizar o consumo, reduzindo o desnecessário, recusando modismos, reutilizando produtos e roupas e fazer uma reciclagem na maneira de viver.
Sermos cidadãos auto-sustentáveis é uma das maneiras de nos lançarmos como espíritos que rumam para a eternidade.
Podemos e devemos planejar o mundo em que queremos viver em nossas próximas reencarnações e para isso precisamos começar a viver desde agora em prol de um mundo mais justo e mais responsável
Não se esqueça que esse copinho descartável que você acabou de usar para beber água estará esperando por você quando você reencarnar, já que o plástico demora 500 anos para se decompor...

Autor: Claudia Mota

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O FILME DOS ESPÍRITOS


Storyline Após perder a esposa e a caminho do suicídio, um homem se depara com “O Livro dos Espíritos” e começa uma jornada de transformação interior rumo aos mistérios da vida espiritual e suas influências no mundo material.