sábado, 26 de janeiro de 2013

Mesa Branca?

Mesa Branca? Ela pode ser de madeira, de plástico ou até mesmo de concreto. Pode ser azul, marrom, branca ou a cor que o leitor imaginar, grande ou pequena, leve ou pesada, mas o fato é que nenhuma influência exerce sobre a prática espírita. A mesa é móvel doméstico ou empresarial, de muita comodidade, que facilita as mais variadas tarefas, das simples às complexas, de uso particular ou coletivo, mas nada tem a ver com a Doutrina Espírita. A cor, tamanho, peso ou material de que é feita, pouco importa para a prática espírita. Inclusive a própria mesa pode ser dispensada, sem qualquer prejuízo para as atividades, exceto para a questão de comodidade humana. É claro que a usamos em nossos grupos, por mera questão de comodidade. Agora, a expressão que intitula o presente artigo é fruto da ignorância popular, ou se quisermos amenizar a frase, ela advêm da falta de conhecimento do que seja o Espiritismo. O Espiritismo dispensa quaisquer objetos materiais, gestos ou rituais. Móveis, roupas especiais, velas, sinais, posturas e mesmo quaisquer expressões de cores – inclusive a cor de suposta mesa que esteja sendo usada ou cores de lâmpadas, cortinas e paredes – são absolutamente desnecessários, inúteis mesmo diremos. Tudo porque a prática espírita está exclusivamente baseada na questão da sintonia mental e dos sentimentos que norteiam os que dela participam. E isto determina a qualidade de tais práticas. Óbvio que nos referimos aqui à prática das reuniões mediúnicas, classificadas por quem desconhece o Espiritismo, como de mesa branca. Mas a prática espírita está também nos estudos, na caridade material e espiritual prestada aos necessitados, nas atividades de divulgação – em suas diversas modalidades –, mas também no intercâmbio com os espíritos (que nada mais são que criaturas humanas que já deixaram o corpo de carne pelo fenômeno biológico da morte), onde o uso ou não de uma mesa é questão secundária. Portanto, ao ouvirmos a expressão mesa branca, já estamos cientes: quem a usa está totalmente desconectado da realidade da prática espírita. Se for algum grupo que a usa para auto-classificar-se, encontra-se equivocado. Se a qualificação surgir por terceiros, quem a emite é que desconhece o que está dizendo. E como reconhecer, então, um grupo sério e identificado com a Doutrina Espírita? É fácil: basta observar três critérios: bom senso, lógica e fraternidade entre seus membros. Autor Orson Carrara

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Advento do Mundo de Regeneração

Advento do Mundo de Regeneração Richard Simonetti Pinga Fogo* 1 - Como poderíamos definir a diferença entre Mundo de Provas e Expiações, estágio atual da Terra, e Mundo de Regeneração, o próximo estágio? Mal comparando, diríamos que nos Mundos de Provas e Expiações o egoísmo predominante, resquício da animalidade primitiva, é o elemento gerador de todos os males. No Mundo de Regeneração, consciências despertas para esse problema estarão empenhadas em superá-lo. 2 - Então no Mundo de Regeneração ainda prevalece o mal? Prevalece a consciência de que é preciso vencê-lo com o empenho do Bem. Equivale a dizer que o mal nesses planetas não tem receptividade nos corações e tende a desaparecer. 3 - Fala-se que a promoção de nosso planeta para Mundo de Regeneração ocorrerá neste milênio, provavelmente nos próximos séculos. Não estamos diante de um otimismo ingênuo, considerando os graves problemas humanos, envolvendo crimes, guerras, vícios, violência urbana, terrorismo, a evidenciar que a maldade ainda impera? Há muita gente envolvida com o mal, por ignorância. Estes serão renovados no desdobramento de suas experiências, particularmente com a mestra dor, em reencarnações regeneradoras. O problema está naqueles que constituem uma minoria barulhenta, com o mal entranhado em seus corações. Esses serão expurgados, quando chegar a hora. 4 - Tipo Bin Laden? Sim, todos aqueles que se comprazem com a violência, o vício, o crime, sem a mínima sensibilidade em relação aos males que causam, aos sofrimentos que impõem aos seus irmãos. 5 - Para onde irão os Espíritos degredados? Provavelmente para Mundos Primitivos, em posição inferior à Terra, conforme a escala apresentada por Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo. 6 - Isso não contraria o princípio doutrinário de que o Espírito pode estacionar, mas jamais retrograda? Um homem civilizado condenado a viver entre aborígines não sofre nenhuma perda em relação à sua inteligência, cultura e conhecimentos, que, inclusive lhe serão úteis na nova situação, embora as limitações a que estará sujeito. O mesmo acontece com o Espírito degredado em planeta inferior. 7 - Não irá um Espírito intelectualmente evoluído, mas moralmente atrasado, causar embaraços aos habitantes desse mundo? Não tanto quanto os benefícios que essa convivência ensejará. Os degredados estarão mais ou menos no mesmo estágio moral, mas superiores no estágio intelectual, favorecendo o progresso de seus hospedeiros, em cujo seio reencarnarão. 8 - E ficarão para sempre por lá? Segundo Emmanuel, somos todos tutelados do Cristo, o governador espiritual de nosso planeta, compondo uma imensa família, de perto de vinte e cinco bilhões de Espíritos. Natural, portanto, que após superarem sua rebeldia e resgatarem seus débitos, ajustando-se às leis divinas, retornem os degredados ao convívio humano, o que poderá demandar milênios, mas forçosamente acontecerá. Como ensina Jesus, das ovelhas confiadas por Deus aos seus cuidados, nenhuma se perderá. * Coluna originalmente publicada na Revista Internacional de Espiritismo, Janeiro de 2005 e reproduzida com autorização do autor

A FORÇA DO AMOR

A Força do Amor Amilcar Del Chiaro Filho Vida com qualidade é impossível sem amor. O amor é uma energia formidável que impulsiona as galáxias, que move os mundos, que dá brilho às estrelas, que suaviza a vida, que faz a mãe acalentar o filhinho nos braços, beijá-lo ternamente, e dizer, meu filho! minha vida! Mesmo que o filho seja deficiente mental, de olhar inexpressivo, e fisionomia torturada. É o amor que faz com que aquilo que pareça impossível, aconteça. Só amor pode dar forças ao homem para superar barreiras e vencer. Gandhi teve um profundo amor pela Índia, e no sacrifício por amor encontrou forças para libertá-la do jugo de outra nação mais poderosa. Madre Teresa de Calcutá, por força do seu amor aos miseráveis, encontrou coragem para esmolar por eles, e lhes dar alguma dignidade. Os caminhos do mundo foram pisados pelas patas dos elefantes de Aníbal, dos cavalos das legiões romanas, das hordas bárbaras, ( dizem que onde o cavalo de Átila pisava não nascia mais grama), e pelas botas militares de muitos guerreiros, mas, somente os pés descalços ou as sandálias simples dos missionários da paz, são capazes de deixar pelo caminho poeira de estrelas. Quantos avatares, verdadeiros missionários, cruzaram os caminhos do mundo impulsionando os homens pela força do amor, para transformar a vida? Por isso, continuamos convidando-os a cerrarem fileiras conosco para batalharmos pela paz. É por isso, que neste início de um novo milênio precisamos acreditar em nossa capacidade, saber que podemos vencer, que podemos construir um novo destino, que podemos construir um mundo melhor, onde a paz, a harmonia, e a justiça social estejam presentes. (Artigo reproduzido com a autorização do autor)

A LEI DO AMOR

A Lei do Amor Raul Franzolin Neto Editor do GEAE Um dos pontos mais relevantes a ser entendido sobre a vida é a Lei do Amor. Todo mundo fala, pensa e vive de amor. Cristo disse: "ame ao próximo como a si mesmo; amai vossos inimigos". As religiões certamente garantem que o amor é o caminho do céu, onde todos vivem felizes. O contrário, o ódio é rumo certo para o inferno, lugar de trevas. Uma pessoa muito feliz se encontra em estado de amor. Muitas vezes encontra o amor em outra pessoa. É a paixão explodindo em seu coração. De repente tudo parece mudar. Será que o amor tem fim? Há um limite e um tempo para amar? Não, amor existe no ser humano e em todas as coisas na natureza. Um rio, uma mata, um animal, uma nuvem, uma chuva, um objeto, etc, etc. Mas as formas de amar são infinitamente diferentes de um ser para outro. Há pessoas que amam sensivelmente outras pessoas, enquanto outras as odeiam. Para uns uma borboleta pode não significar nada, para outros há um envolvimento essencialmente amoroso. Isso observamos em tudo. Como definir o certo e o errado nisso tudo? Não me atrevo jamais a tentar responder uma questão dessa complexidade. Mas usar nossa razão em qualquer situação pode ser útil. Realmente o amor é sentimento ímpar. Algo inimaginável, surpreendente, muito acima de tudo o que podemos sentir no momento. A própria vida, essência de tudo, não seria possível caso Deus não houvesse definido a Lei do Amor. Em cada ser espiritual, o Criador inclui a centelha do amor capaz de promover o equilíbrio necessário à manutenção da harmonia universal em todos os sentidos. Isso permite a cada um viver rumo ao infinito caminho da evolução do bem comum. Rumo a felicidade eterna, e conseqüentemente, a manutenção da organização celestial em torno da vida. Nesse caminho, a cada dia, aperfeiçoamos o amor e atingimos momentos felizes. Amor e felicidade caminham juntos. Amor é a causa, felicidade o efeito. Ninguém é infeliz por natureza. A infelicidade momentânea é processo doloroso, sofrimento árduo, que só o amor é capaz de libertá-lo. Amor é solidariedade, fraternidade. É a verdadeira caridade. Com seu aprimoramento, os laços de afinidades se unem e os momentos felizes se tornam mais e maiores. Sem esse processo, se pudesse existir uma sociedade com a ausência total da centelha do amor, ou seja, uma comunidade existindo sob a Lei do ódio, egoísmo, vaidade, onde os mais fortes predominariam sobre os mais fracos, tudo caminharia para a destruição, o caos e o nada. Mesmo em locais onde habitam espíritos de níveis de evolução muito inferiores, há a atuação de espíritos de ordem mais avançada no gerenciamento da existência da vida. A centelha do amor presente em todo o universo é, portanto, fruto da perfeição da criação Divina. Com a formação do Espírito, Deus o torna parte da sua criação universal e recebe a chama do próprio Criador (O AMOR), para trabalhar na construção da vida, gerando a harmonia, o equilíbrio e a adequada Lei da Existência. Cabe a ele se desenvolver, ao longo de uma caminhada infinita, contribuindo com o Criador no arranjo das necessidades para o aprimoramento rumo a perfeição. Mas muito grande é essa jornada e graças a Lei do amor é possível crescer numa velocidade conforme a sua própria vontade, ou seja, seu próprio livre-arbítrio. Quanto mais se avança na evolução espiritual, mais aumenta a sua participação no equilíbrio da criação e maior é o convívio num ambiente feliz. Isso significa conforto e satisfação pessoal cada vez maior. A Lei do amor é, portanto, a essência de tudo. Como tirar o melhor proveito dessa Lei? É preciso um esforço indescritível de cada um no seu aprimoramento pessoal, buscando amar a todas as coisas. "Conhece-te a ti mesmo". É o diagnóstico do Ser. Como estou? O que desejo? Sou o que sou, melhor do que fui e serei melhor do que sou. O tamanho do passo seguinte depende do passo anterior... Editorial do Boletim GEAE - Grupo de Estudos Avançados Espíritas - Ano 12 - Número 471 - 2004 reproduzido com autorização do autor

Amor, a Força que Rege o Universo

Amor, a Força que Rege o Universo Elio Mollo No Universo inteiro o espiritual e o material interagem um sobre o outro ininterruptamente, obedecendo a lei de afinididade, portanto, depende de nós o procurar se melhorar através do conhecimento de sí próprio, para que saibamos viver sempre em sociedade, de maneira solidadaria, de forma a abranger todas as relações com os nossos semelhantes, ou seja, na doação natural é total sem constrangimento nenhum para com o próximo, pois teremos o Amor como força regendo todas as nossas relações. A cura total de nossos males só se dará quando conseguirmos amar, a tudo e a todos com liberdade de consciência e despreendimento, pois somente o amor proporciona vida, alegria e equilíbrio. Bibliografia: O Livro dos Espíritos, A. Kardec O Evangelho Segundo Espiritismo, A. Kardec Diversas obras de A. Luiz

A PORTA ESTREITA E A PORTA LARGA

A Porta Estreita e a Porta Larga José Reis Chaves O Nazareno deixou-nos o grande ensinamento de que na Casa do Pai há várias moradas. E elas estão em qualquer parte do universo, portanto, a Terra é uma delas. E habitamos eternamente nelas enquanto espíritos que somos. Mas justamente porque somos imortais, nós já estamos na eternidade. Segundo alguns filósofos, entre eles Huberto Rohden, podemos dividir os indivíduos, espiritualmente falando, em três categorias: profanos, virtuosos e iniciados. Profanos são aqueles desinteressados pelas coisas da área espiritual, embora não sejam necessariamente materialistas propriamente ditos. Estão naquela fase de nem desejarem sequer, ainda, entrar pela chamada Porta Estreita, de que falam os Evangelhos. Todavia, vai chegar o dia em que eles vão despertar também para isso, mas por eles mesmos, como o personagem da Parábola do Filho Pródigo, pois Deus respeita o nosso livre-arbítrio que Ele próprio nos deu, deixando por conta nossa o quando, o onde e o como desse nosso despertar para as coisas do alto, do nosso Eu Interior. A categoria dos virtuosos constitui-se dos espiritualistas que procuram por em prática os princípios do bem e da moral. Porém, praticam-nos com dificuldades, sacrificando a sua própria vontade. É a essa categoria que pertence a maioria de todos nós, que queremos passar pela Porta Estreita, mas só conseguimos, por enquanto, a passagem pela Porta Larga. Já a terceira categoria compõe-se de uns poucos indivíduos do tipo de Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá, Gandhi, Luther King e Irmã Dulce da Bahia. Elas fazem o bem, prazerosamente, como quem está com fome e saboreia uma apetitosa comida. O Mestre disse que o seu jugo é suave. E essas pessoas sentem essa realidade, já vivenciando estes seus conselhos : "Se alguém lhe der um tapa no rosto, apresente-lhe a outra face". "Se alguém tomar-lhe a capa, dê-lhe também a túnica". "Não resistais ao maligno". Encontram-se elas já no estágio de inofendibilidade, isto é, neutralidade diante das ofensas que se lhes fazem. E, por isso, elas até nem têm nada que perdoar a ninguém, pois que ninguém consegue ofendê-las. E, obviamente, já têm passagem garantida pela Porta Estreita, pois quase sempre elas estão voltadas para o mundo do seu Eu Interior, o mundo do Reino dos Céus, que lhes é bastante para a sua felicidade. Essas idéias de nossa evolução espiritual trazem subjacente em seu bojo a da reencarnação, ou seja, a de que, um dia, todos se salvarão, pensamento este coincidente também com o da Igreja atual, de que a salvação é para todos, com o de parte do Islamismo (Sufismo e Bahaísmo) e, igualmente, com o das grandes religiões orientais, cujos adeptos representam cerca da metade da população da Terra. Com efeito, se isso não fosse também a Doutrina do Homem de Nazaré, Ele não se intitularia o Salvador do Mundo, mas, sim, só de meia dúzia de almas! E não poderia ser diferente, pois, se Deus quer que todos se salvem, o que poderia obstaculizar a sua vontade infinita? (O presente artigo foi reproduzido com a autorização do autor)

A PROPOSTA DO CRISTO

A Proposta de Cristo Warwick Mota Seria impossível para nós, mensurarmos a grandeza dos ensinamentos do Mestre Jesus, mas podemos afirmar, que a proposta destes, e nortear o comportamento individual de cada um de nós, proporcionando-nos ensinamentos, que provocam profundas reflexões ensejando orientações, que despertam para o desenvolvimento espiritual. Para lograr objetivos, a mensagem do Evangelho fundamenta-se, em dois grandes aspectos: A autoridade moral e a autoridade espiritual. A primeira, refere-se, a exemplificação dos ensinamentos através dos atos, a segunda interagente a primeira, além de denotar a grandeza moral do Cristo que transcende aos atos e palavras, faculta a modificação do ser, pelo envolvimento fluídico que provoca a sua superioridade espiritual, promanada não das qualidades de seu corpo, mas do seu Espírito. A exemplo disso nos narra Lucas cap. 19 v. 1 a 10, a passagem de Jesus por Jericó. "E tendo Jesus entrado em Jericó, ele atravessava a cidade . Havia um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sincômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: "Zaqueu desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa". Ele desceu imediatamente e recebeu com alegria. A vista do acontecido todos murmuravam, dizendo: "Foi hospedar-se na casa de um pecador!" Zaqueu, de pé disse ao Senhor: "Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo". Jesus lhe disse: Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido ". O diálogo que aparentemente manifesta-se como que de caráter simplista, revela grandes ensinamentos que para muitos passam despercebidos, mas que, destaca claramente o ensinamento moral e o ensinamento espiritual. O fato de Zaqueu procurar uma melhor forma de ver Jesus, revela uma predisposição a mudança dos atos, pois a simples presença do Rabi Galileu provocava profundas reflexões. Outro ponto indiscutível, é que a mudança de Zaqueu já fazia parte dos objetivos do Mestre, tanto que ao entrar em Jericó, o percebe facilmente em cima de uma árvore ansioso por um olhar, ao que Jesus corresponde, demonstrando profundos conhecimentos de psicologia transpessoal, levantando o olhar, se dirige a ele dizendo: "Zaqueu desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa", neste momento o vocábulo casa adquire outra conotação, visto que, ele vem antecedido de uma afirmativa verbal, "pois hoje devo ficar em tua casa", na frase, o verbo devo, é aplicado no sentido de certeza e não de hipótese. Entendemos com isso, que o Mestre, se refere a casa mental de Zaqueu, pois a hospedagem que desejava Jesus, não era apenas no lar físico de Zaqueu, mas principalmente no seu coração, a fim de que este se modificasse. Convém ressaltar, a imensa facilidade, com que Jesus manipula os fluidos, pois, subentende-se, que ele altera a psicosfera pessoal de Zaqueu, permitindo, que este, compreenda a mensagem de natureza espiritual na sua perfeita essência, e ele a entende como se Jesus a propusesse: "Desse depressa pois hoje devo ficar em teu coração para sempre". O envolvimento fluídico na questão é tão patente, que bastou alguns momentos em contato com o Mestre para que se processasse profundas modificações morais em Zaqueu, não apenas pelo compromisso público de restituir quadruplamente (segundo a lei de Moisés), aqueles a quem prejudicou anteriormente, mas por despertar nele, o sentimento de caridade e desprendimento, levando-o a doar aos pobres, metade dos bens que lhe pertenciam. A autoridade espiritual de Jesus se faz presente, ao afirmar: "A salvação entrou nesta casa, porque ele também é filho de Abraão. Com efeito, o filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Não obstante demonstrar claramente o conhecimento da ficha espiritual de cada Espírito encarnado na Terra, visto que, conhecia as mazelas que marcavam o caminho espiritual de Zaqueu, percebia nos seus pensamentos a vontade de mudar. Se não fosse verdade estaria Jesus interferindo no livre arbítrio daquele, modificando-o intimamente contra sua vontade. A receptividade de Zaqueu as sugestões fluídicas do Mestre, modifica instantaneamente seu comportamento para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo, salvando aquela encarnação e por conseguinte reformando-se pela conversão, através de atos e não de promessas. É oportuno recordarmos que a passagem de Zaqueu é de grande alcance e importância na condução de nossas atitudes, subir no sincômoro representa a predisposição para a mudança, que funciona como agente facilitador da reforma íntima, reforma esta, que constitui-se no preparo da morada de nossos corações, onde o Cristo com certeza pedirá pousada. Início (Publicado na revista Reformador em fev/97 e reproduzido do site do autor com sua autorização)

AS FAMILIAS ESPÍRITAS

As Famílias Espíritas José Lucas - ADEP O dia decorria com naturalidade e normalidade, numa tarde soalheira de Verão, quando uma adolescente nos pergunta com a rapidez e frontalidade características da sua faixa etária: «As famílias espíritas são diferentes? Pensei que eram diferentes, que todos se dessem muito bem e que nunca tivessem problemas, afinal, são como as outras... no entanto a minha família está muito melhor desde que conheceu o espiritismo. É assim?» Depois da surpresa da pergunta, quando o pensamento estava bem longe, talvez nos motivos do Verão, como a praia ou outro assunto com ele relacionado, não pudemos deixar de verificar a pertinência de tão arguta observação por parte de uma adolescente. Aproveitando a oportunidade lá lhe explicámos que as famílias espíritas são pessoas que apenas adoptaram o espiritismo (ou doutrina espírita) como filosofia de vida, mas que continuam a ser pessoas, com as suas virtudes e defeitos, com os seus problemas existenciais como toda a gente, bem como que em muitas famílias acontece inclusive que um dos cônjuges é espírita e o outro não, sem que isso signifique qualquer motivo de problema no lar. O espiritismo, ou doutrina espírita explica-nos que somos seres imortais que estamos temporariamente num corpo carnal, objectivando o nosso crescimento pessoal nesta existência corpórea (reencarnação). Assim sendo, somos espíritos que caminhamos de reencarnação em reencarnação buscando novas experiências, nova aprendizagem, objectivando um dia sermos espíritos puros. Os espíritos agrupam-se em famílias espirituais, isto é, grupos de espíritos mais ou menos numerosos que se encontram na mesma faixa evolutiva. São os chamados espíritos simpáticos, ou espíritos que simpatizam entre si, que sentem afinidade entre si, derivada da sintonia vibratória em que se encontram, na mesma faixa evolutiva. Quando voltam à Terra, esses espíritos pertencentes a uma determinada família espiritual podem estar reencarnados em vários locais, cidades, países. Podem por vezes encontrar alguns desses companheiros na sua própria família carnal, outras vezes encontram-nos mais facilmente fora da mesma. A família carnal funciona como que um pequeno laboratório onde se transmutam os sentimentos, objectivando a paz interior, a tranquilidade íntima, onde podemos encontrar seres amigos ou inimigos provenientes do nossa passado. Nesse sentido, as famílias carnais são passageiras, mudam de acordo com a necessidade evolutiva de cada um, podendo numa próxima reencarnação voltarmos juntos de novo ou não. O verdadeiro laço familiar é pois o laço pelo espírito, pelos sentimentos e não o laço do sangue. Nesse sentido a família afigura-se como abençoada escola onde se encontram amigos do passado para se apoiarem mutuamente e em conjunto aprenderem, e inimigos do passado para através dos laços de sangue aos poucos irem diluindo as clivagens que criaram em vidas anteriores. Assim surgem as simpatias naturais com este ou aquele familiar e as antipatias naturais com um ou outro membro da família. Curiosamente a jovem amiga já nos tinha dado a resposta na sua oportuna intervenção, ao dizer que desde que conhecem o espiritismo, o ambiente familiar está muito melhor, os pais já nãos discutem tanto, notando-se uma franca melhoria no relacionamento interpessoal familiar. Esse é o objectivo da doutrina espírita, que não sendo mais uma religião nem mais uma seita, afigura-se como uma doutrina que fornece ao homem conceitos lógicos e pesquisáveis sobre a existência humana neste planeta, fornecendo-lhe pistas fundamentadas sobre quem é, de onde vem e para onde vai no concerto da vida eterna, no universo. Nesse sentido a doutrina espírita leva o homem a interrogar-se, e a modificar-se interiormente no sentido de ter uma postura ética, favorecendo assim a paz, o relacionamento saudável entre todos, a harmonia social. Bibliografia: «O Livro dos Espíritos» de Allan Kardec (Artigo Reproduzido com autorização da ADEP)

VIOLÊNCIA

Violência Warwick Mota Nos causa assombro e perplexidade ligarmos a TV e ou abrirmos um jornal e nos depararmos com cenas de extrema selvageria e barbárie. Fatos como linchamentos de delinqüentes por parte da população a pretexto de "justiça com as próprias mãos", crescem estatisticamente nas crônicas policiais, sem falar em tantos outros crimes hediondos que se tornaram matérias cativas dos veículos de comunicação existentes. Tal situação leva pessoas a indagarem, se a Terra estaria retrogradando moralmente, e se, valores como, o amor ao próximo, respeito à vida e a crença em Deus, já não fizessem mais parte do programa evolutivo da humanidade, outros chegam mesmo a afirmar: que estamos em situação em pior situação que no passado e que milênios de cultura e civilização nada contribuíram em benefício do homem. A escalada da violência na Terra assume proporções assustadoras, exigindo de pessoas sensatas e lúcidas, como também dos organismos governamentais, religiosos e sociais, uma acurada reflexão sobre o assunto. O Espiritismo a seu turno, nos traz com muita propriedade, orientações preciosas, além de esclarecedoras informações acerca da problemática da violência, desvelando dúvidas e esmiuçando o comportamento agressivo do homem, seja este de caráter endógeno ou exógeno. Não tenhamos dúvidas, de que traumas psicológicos recalques e frustrações provenientes do próprio Espírito, fazem eclodir sensações grosseiras e primitivas que emergem dos porões da alma em função da intoxicação dos miasmas e fluidos deletérios, cultivados por estas criaturas dadas ao comportamento perverso. Nos esclarece a espiritualidade superior que os mecanismos de reencarnação em massa, são de alta complexidade e que o ingresso no corpo físico por parte de Espíritos ainda neófitos na escala evolutiva, requer um acompanhamento cuidadoso, tanto por parte dos desencarnados quanto dos encarnados que estejam qualificados para o mister. A necessidade de melhora íntima e de ajuda, para que logrem progresso e evolução, é de vital importância para os Espíritos encarnados, não as encontrando, são conduzidos a assumirem um comportamento agressivo e violento em virtude das sensações primitivas e grosseiras que vivenciam dentro de sua psicosfera pessoal. Combater os efeitos da violência sem as preocupações com as causas, é semear em terreno ácido, não existe condições de boa colheita, se não houver anteriormente a devida preparação do solo para o plantio, portanto, o efeito da repressão indiscriminada pode se tornar uma causa a mais para o aumento da violência. Nos diz Joanna de Angelis no capítulo sétimo do livro "Após a Tempestade": "a terapêutica para tão urgente questão há de ser preventiva, exigindo dos adultos que se repletem de amor nas inexauríveis nascentes da Doutrina de Jesus, a fim de que, moralizando-se, possam educar as gerações novas, propiciando-lhes clima salutar de sobrevivência psíquica e realização humana. A valorização da vida e o respeito pela vida conduzirão pais, mestres, educadores, religiosos e psicólogos a uma engrenagem de entendimento fraternal com objetivos harmônicos e metódicos - exemplos capazes de sensibilizar a alma infantil e conduzi-la com segurança às metas felizes que devem perseguir. Os homens são, pois o seus feitos. A sociedade são os homens que a constituem. A vida Humana resulta dos Espíritos que a compõem". (Publicado na revista "O Espírita" nº 95 Jan/Mar 97 - Brasília - DF e reproduzido do site do autor com sua autorização)

PASSES

Passes Orson P. Carrara Muita gente procura nos Centros Espíritas a prática denominada pelos espíritas de passes. Seja porque verificam em si mesmos os benefícios recebidos, seja porque as instituições oferecem esse atendimento ou mesmo porque se acostumaram a recebê-lo. Mas, o que é o passe? Ele resolve? Como ocorre? O passe é prática comum nas instituições espíritas. Está baseado na capacidade que tem o ser humano em doar-se em favor de alguém ou de várias pessoas. Mas, doar o que? Doar de seu carinho, de seu amor ao próximo, de sua atenção e vontade de auxiliar ou em outras palavras, doar de sua própria energia - acrescida do amor transmitido pela misericórdia divina - para o equilíbrio, a calma, e mesmo o tratamento da saúde de alguém ou das pessoas atendidas. O desejo de auxiliar o próximo, aliado à fé de quem quer doar e de quem quer receber, transforma esses sentimentos fraternos em energias renovadoras que beneficiam a saúde e restabelecem o equilíbrio. E tudo com o acréscimo de Deus e de seus emissários que canalizam essas energias para a necessidade do atendido, como se fosse uma transfusão. Ocorre, porém, que os passes constituem uma terapia de superfície. Atenuam no momento, mas não removem a causa do problema. A solução de uma perturbação, por exemplo, está na dependência direta da mudança de comportamento ou do padrão mental de quem está passando pela necessidade de receber um passe. Assim como uma enfermidade específica, diagnosticada pelos médicos, requer determinado medicamento. A solução, portanto, de nossas mazelas, de nossas perturbações, está em nós mesmos, na melhora moral que possamos alcançar pelo próprio esforço, embora o Centro Espírita possa oferecer o recurso auxiliar dos passes. Algo importante a considerar é que o passe não deve tornar-se um vício, nem a pessoa dele tornar-se dependente. Temos que desenvolver em nós mesmos a própria capacidade de superação das dificuldades que estejamos enfrentando, através da prece e do trabalho no bem. E buscar sim o passe, mas apenas como recurso adicional e na necessidade. Outra consideração não menos importante é que o passe orientado pelo Espiritismo dispensa gestos especiais, posturas místicas ou qualquer outra prática que violente o bom senso, a lógica e a razão, e principalmente qualquer atitude de desrespeito com quem quer que seja. Toda prática é orientada pelo amor ao próximo e pelo bom senso no seu uso.

PERTURBAÇÃO NA HORA DO SONO

Perturbação na Hora do Sono Renato Costa – rsncosta@terra.com.br Um dia, faz alguns anos, uma irmã escreveu a uma lista espírita dizendo que tinha o sono perturbado, lhe vindo à cabeça ruídos e imagens que não a deixavam relaxar. Na ocasião, fizemos a ela algumas recomendações que abaixo reproduzimos, esperando que sejam úteis a outros companheiros e companheiras desta jornada terrena. Os sonos perturbados podem ter mais de um motivo, o que não quer dizer que vários motivos não possam ocorrer ao mesmo tempo. Algumas coisas que podem causar um sono agitado: - jantar ou “beliscar” aperitivos a menos de três horas do momento de ir para a cama. Nosso corpo físico precisa descansar e uma das partes dele que sempre esquecemos de deixar em repouso é o sistema digestivo. Estar dormindo ao mesmo tempo em que a digestão está se processando, principalmente uma digestão "pesada", é, invariavelmente, uma das causas de uma noite mal dormida. Procuremos nos alimentar pela última vez pelo menos três horas antes de irmos dormir. Se isso nos for de todo impossível e precisarmos, por problemas de horário, comer mais tarde, saibamos evitar comidas pesadas (carnes, frituras, bebidas alcoólicas ou refrigerantes), dando preferência às mais leves (frutas, legumes, verduras e sucos) e, sempre, em quantidade moderada. - assistir a filmes, programas de auditório, peças de teatro ou ler livros de teor violento, erótico ou de suspense antes de ir para cama. As emoções que tais atividades provocam em nosso espírito são perturbadoras. Além disso, Espíritos desencarnados que apreciam tais atividades nos fazem companhia enquanto assistimos ao filme ou lemos o livro e vão para a cama junto de nós, como bons "amigos" que partilham de nossos gostos. - tratar de assuntos perturbadores antes de dormir, quer seja dando ou atendendo a telefonemas, lendo ou escrevendo na Internet ou discutindo com familiares. Tais assuntos devem sempre ser tratados pela manhã, quando todos têm um longo dia para digeri-los antes do próximo sono. Por último, mas nem por isso menos importante, não deixemos de orar antes de dormir. Caso tenhamos dificuldade para orar, tentemos ficar alguns segundos quietos, relaxados, respirando calmamente e pensemos, tentando sentir em nosso coração o carinho puro que temos por um ente querido: "Obrigado, meu Deus, por mais um dia". Artigo Publicado Originalmente no Correio Espírita Meimei, Jan/Fev/Mar 2007

O CENTRO ESPIRITA TEM DONO ?

CENTRO ESPÍRITA TEM DONO? Warwick Mota "Dá conta de tua administração."- Jesus. (Lucas, 16:2.) Procurando subsídios para uma palestra, folheava o livro Os Mensageiros ¹, quando me detive de forma mais demorada no capitulo 34 intitulado "Oficina de Nosso Lar". O que alguns anos atrás não me chamou a devida atenção ao ler o livro, desta feita me prendeu de forma especial, mas especificamente à frase em que Isidoro se dirige hospitaleiro a André Luiz: "Entrem! ­ A casa pertence a todos os cooperadores fieis do serviço cristão" Tal assertiva nos reportou-me imediatamente a um diálogo que tive com um confrade amigo meu, acerca da construção de um Centro Espírita, em que o mesmo fazia questão de afirmar a todo o momento; vou construir o meu próprio Centro. Pois não se encontrava muito à vontade na instituição a que pertencia. Tais afirmações, levou-me fazer, uma análise do assunto. Alguns irmãos, ao se sentirem melindrados por algum motivo nas instituições a que pertencem, libertam sentimentos negativos, como, o egoísmo e o personalismo e saem a falar em altos brados: Vou fundar o meu próprio centro. Não estou colocando em questão a iniciativa altruísta cristã de construir um centro, mas sim a ênfase dada ao pronome possessivo MEU, que nos dá a clara idéia de posse. E estes irmãos, após terem construído os "seus centros," usam de forma mal disfarçada do termo MEU, para imporem regras e empecilhos aos que desejam integrar-se às tarefas enobrecedoras da casa, colocando explicitamente o personalismo nas tarefas que foram distribuídas anteriormente. Quando estes donos, presidentes e detentores também de outras tarefas e "cargos" da casa, são procurados por trabalhadores da instituição que discordam das suas linhas de pensamento, fazem prevalecer as suas condições de "donos de Centro" e suas opiniões se sobrepõe a tudo. Quem não estiver satisfeito que procure outra casa, aqui eu mando. Esquecem porém que um grupo espírita é um templo aberto à necessidade e à indagação de todas as criaturas, que não se resume, simplesmente, a simples propriedade particular, mas na sua profundidade maior, à condição de escola de amor cristão, de hospital, de oficina de trabalho e, especialmente, de nossos irmãos desencarnados, que trabalham para o Cristo. Tais lembranças reportam-me a ensinamentos de Emmanuel, no livro Fonte Viva, "Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura detém possibilidades enormes no plano em que moureja". 1 - Os Mensageiros, livro da série André Luiz (FEB) (Publicado na revista O Espírita em 1995 e reproduzido do site do autor com sua autorização)