sexta-feira, 27 de março de 2015

Na qualidade de pais, nos preocupamos em ensinar aos filhos a cuidar dos seus pertences. Contudo, por vezes, vamos a extremos. Principalmente, quando se trata de brinquedos.
Esquecemos que tudo se desgasta com o uso e brinquedos são feitos para brincar. Nunca para ficarem guardados em prateleiras e armários, intocáveis, aguardando o passar dos anos. Não são troféus, são brinquedos.
A prudência e o zelo têm seu lugar. Também a experiência e a curiosidade e, grande sabedoria é saber a diferença entre uns e outras.
Um jovem pai aprendeu isso quando, certo dia, após passar a tarde de verão brincando no parque e nadando na piscina do clube, seu filho de cinco anos apareceu com o corpo coberto de pintas vermelhas.
A esposa pensou ser sarampo e como tinham agendado consulta com o pediatra, para o dia seguinte, não se preocuparam.
Durante a consulta, os pais notaram vários hematomas nas pernas do menino.
A médica os encaminhou ao hospital para exames mais detalhados. O medo invadiu o coração de pai e mãe.
O diagnóstico foi púrpura trombocitopênica idiopática, uma doença que faz com que o baço destrua as plaquetas responsáveis pela coagulação do sangue.
Se piorasse, o garoto poderia sangrar internamente até a morte. Só o tempo diria se ele conseguiria superar a crise.
Três dias depois da internação hospitalar, o pai decidiu ir comprar um brinquedo para o filho. Sabendo do seu gosto por carros, escolheu um conversível amarelo.
Ao se encaminhar para o caixa, a fim de pagá-lo, pensou que nas mãos de um garoto de cinco anos, não duraria muito. Logo, concluiu:
E daí, se as portas se quebrarem e as rodas caírem? Se isso acontecer, é porque ele está vivo e saudável.
O carrinho amenizou os longos dias de internação do menino. A crise foi superada.
O conversível amarelo está na prateleira do quarto dele. As rodas caíram, as portas estão quebradas e o cromado todo descascado.
O pai olha para o brinquedo e sorri. Nos últimos anos seu filho tem passado bem. Sua doença misteriosa se foi.
E ele aprendeu que há objetos que podem ser substituídos, se necessário.
Hoje, se um dos seus três filhos quebra alguma coisa ou gasta de tanto brincar, não o repreende. Prefere comemorar a sua infância.
O esqueleto do que foi um lindo carrinho, o pneu careca da bicicleta, as peças perdidas do jogo, tudo isso demonstra que naquela casa vivem meninos sadios e felizes.
Aquele pai aprendeu que o seu relacionamento com seus filhos e sua mulher é o que deve durar para sempre. Com pequenas perdas, por excesso de uso, ele pode muito bem conviver.
*   *   *
Aprendamos, nas lides cotidianas, a prezar mais o convívio com os seres amados, o diálogo, a sadia troca de ideias.
Utilizemo-nos dos tempinhos que sobram em um e outro momento para estar um pouco mais com nossos amores.
Nada há tão gratificante quanto observar uma criança crescer, dia a dia. Nada tão compensador quanto lhe observar as conquistas diárias.
E, de todos os prêmios da Terra, o maior de todos será chegar ao final do dia, em casa, e ouvir uma voz gritar: Papai chegou! Mamãe chegou!, enquanto dois braços se enrolam em seu pescoço, apertando forte.
Isso se chama viver em abundância.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo
 
Infância e equilíbrio, de Elliott Van Egmond,
da revista
Seleções Reader’s Digest, de agosto
 de 2003.
Em 18.3.2015.

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