segunda-feira, 1 de julho de 2013

ESPIRITISMO E POLITICA

ESPIRITISMO E POLITICA Embora se preocupe diretamente com o melhoramento ético e moral do homem, o pensamento espírita não se exime de analisar a dimensão política da vida em sociedade. Allan Kardec, quando tratou dos fins e formação das Sociedades espíritas, no Capítulo 30 Art. 1º. de O Livro dos Médiuns, advertiu que as “questões políticas” deveriam delas se manter afastadas. A preocupação de Kardec era certamente pertinente, considerando-se que as Instituições espíritas jamais devem assumir posicionamento político-ideológico ou político-partidário. Nesse sentido, podemos considerar que não há uma aproximação direta entre Espiritismo e política. Léon Denis foi enfático ao considerar: “A influência do Espiritismo no progresso da sociedade se processa, não no estímulo à luta de classe, mas no campo íntimo, ampliando os horizontes sobre a natureza humana e sua destinação.” [1] As relações com o poder temporal fizeram, historicamente, muitas instituições religiosas respeitáveis tombarem ante seus fins mais profundos. Mas o ser humano, diante das contingências evolutivas da Terra, é, na definição de Aristóteles, um “animal político”. No plano da individualidade, o espírita é alguém que está inserido na sociedade e que, portanto, como todo cidadão, possui responsabilidades com sua formação política, mesmo que não necessariamente partidária. Platão já dizia que, mesmo que o indivíduo não goste da política, será governado por políticos. Não devemos como cidadãos e, espíritas em particular, assumirmos uma postura de simples “indiferença” ao universo político que nos envolve. Há uma problemática histórica no Brasil, onde o povo foi afastado das decisões, posto como um mero expectador das relações de poder. A sociedade brasileira viveu uma experiência democrática muito reduzida. Isso distanciou o indivíduo de seu protagonismo social, alienando-o das decisões políticas. No final dos anos 80, retomamos uma via democrática fundamental para o exercício das eleições e das escolhas que instituem uma sociedade mais horizontalizada. A democracia, no dizer do saudoso professor Deolindo Amorim, é o regime que melhor corresponde à índole da Doutrina Espírita, pois a estrutura filosófica do Espiritismo não se adapta a nenhuma forma de poder totalitário. Afirmando, ainda, que: “A democracia é regime de conciliação, de equilíbrio, porque repele instintivamente qualquer hegemonia e permite a participação de todos no progresso comum, sem distinção de classes.” [2] Fazer escolhas e opções faz parte determinante de nossa caminhada evolutiva. É nesse sentido que enquadra-se o pensamento aristotélico do “ser político”. A noção de “maturidade humana” engloba as responsabilidades inerentes aos papéis sociais. Ser cidadão é um desses papéis. [1] DENIS. Léon. Socialismo e Espiritismo. 2ª ed. Matão-SP: Casa Editora O Clarim, 1987. [2] AMORIM, Deolindo. Análises Espíritas. FEB. Cap. 19. Pág. 107.

O espírita e a política

O espírita e a política Marcelo Henrique Pereira, Doutorando em Direito Diz-se, em sociologia política, que política é a “arte de (bem) governar”. Idealmente, claro. E, não são poucas as vezes que, em conversas, reportagens ou palestras, ouvimos dizer que “cada povo tem o governo que merece”. Será mesmo? Vamos ver... Este ensaio brotou do inconsciente para o plano material por causa de uma entrevista com uma deputada estadual de Santa Catarina, vinculada à religião evangélica. Mas como? Pastora e Deputada? É sim, leitor... Aliás, isto não é novidade, não é mesmo? Todavia, a sua estupefação deve ser a mesma que me invade: o Cristo não falou que não se poderia servir a dois Senhores? Pois é... Mas, dá-se um jeitinho, como de costume neste país... Mas não viemos para criticar. Porque partilhamos do conceito de que as coisas são neutras, em sua essência original e o homem - ser inteligente - as aproveita como melhor lhe convier. Por isso, as instituições, as organizações, as funções, cargos e, também, os mandatos políticos são necessárias para a vida social e alguém tem que representar o povo, mormente no poder legislativo. Deste modo, o que fazem os evangélicos? Usam a sua força associativa (ou corporativa) e, tendo por base o número de “fiéis” que acodem aos templos, indicam-lhes o(s) candidato(s) para defender(em) seus interesses nos diversos planos da ação política, para, mais à frente, obterem vantagens, na defesa de questões materiais ou ideológicas de conformidade com os preceitos e argumentos de crença que professam. E o que fazem os espíritas? Via de regra, vivem no romantismo de que “religião é coisa do plano espiritual e, portanto, não se coaduna com as manifestações materiais”, como já ouvimos aqui e alhures. Muito nobre! Realmente, não se misturam: vivem em planos paralelos, lado a lado, porque, meu amigo, tente você viver uma vida totalmente “espiritualizada”. Vai viver de quê? Vai morar aonde? Vai se alimentar de que maneira? Estou racicalizando? Pode ser... Mas, mesmo em se tratando de Centros Espíritas, quem é que paga as contas de água, luz, material de limpeza e conservação? Os Espíritos Superiores? Claro que não! Ora, companheiros, o Espiritismo compreende os ideais de renovação da humanidade, através da transmissão de corretas informações àqueles que tiverem “ouvidos para ouvir e olhos para ver”. Só que não se faz Espiritismo apenas e tão-somente no interior das Casas Espíritas. Para tornar-se crença comum, como afiançado pela Falange da Verdade a Kardec, a Doutrina precisa ganhar as ruas, não pela pregação e doutrinação, mas pela presença (ativa) de seus adeptos e divulgadores nos diversos cenários da vida humana. Participando, não se esquivando, com a desculpa de que tudo evoluirá, um dia... E, ficamos esperando... Enquanto este dia não vem, os outros ocupam os espaços, defendem suas formas (restritas e, quase sempre, incorretas) de ver o mundo, a vida, os homens. A visão espírita precisa, pelo menos, ser apresentada, exposta, defendida. Na atuação parlamentar, é necessária a presença de criaturas comprometidas com a filosofia espírita para disseminarem (novas) idéias naqueles meios. Inicialmente, de forma minoritária; depois, ganhando adeptos aqui e ali, pela repetição dos conceitos e a força do exemplo, que contagia, arrasta. Quem sabe, então, já no próximo pleito, no ano que vem, possamos, pelo menos, ter oportunidade de escolher - entre as opções existentes - candidato(s) espírita(s), para darmos prosseguimento à tarefa de reformulação social. Ou, você não acredita nisso?