sexta-feira, 27 de março de 2015

A grave problemática da corrupção

Conforme o dicionário, corrupção é adulterar, corromper, estragar, viciar-se.
Nos dias em que vivemos, muito se tem falado a respeito da corrupção. E, quase sempre, direcionando as setas para os poderes públicos.
Pensamos que corrupção esteja intimamente ligada aos que exercem o poder público.
Ledo engano. Está de tal forma disseminada entre nós, que, com certeza, muito poucos nela não estejamos enquadrados.
Vejamos alguns exemplos.
Quando produzimos algo com qualificação inferior, para auferir maiores lucros, e vendemos como de qualidade superior, estamos sendo corruptos.
Quando adquirimos uma propriedade e, ao procedermos a escrituração, adulteramos o valor, a fim de pagar menos impostos, estamos disseminando corrupção.
Ao burlarmos o fisco, não pedindo ou não emitindo nota fiscal, estamos nos permitindo a corrupção.
Isso tem sido comum, não é mesmo? É como se houvesse, entre todos, um contrato secretamente assinado no sentido de eu faço, todos fazem e ninguém conta para ninguém.
Com a desculpa de protegermos pessoas que poderão vir a perder seus empregos, não denunciamos atos lesivos a organizações que desejam ser sérias.
Atos como o do funcionário que se oferece para fazer, em seus dias de folga, o mesmo serviço, a preço menor, do que aquele que a empresa a que está vinculado estabelece.
Ou daquele que orienta o cliente, no próprio balcão, entregando cartões de visita, a buscar produto de melhor qualidade e melhor preço, segundo ele, em loja de seu parente ou conhecido.
Esquece que tem seu salário pago pelos donos da empresa para quem deveria estar trabalhando, de verdade.
Desviando clientes, está desviando a finalidade da sua atividade, configurando corrupção.
Corrupção é sermos pagos para trabalhar oito horas e chegarmos atrasados, ou sairmos antes, pedindo que colegas passem o nosso cartão pelo relógio eletrônico.
É conseguir atestados falsos, de profissionais igualmente corruptos, para justificar nossa ausência do local de trabalho, em dias que antecedem feriados.
Desvio de finalidade: deveríamos estar trabalhando, mas vamos viajar ou passear.
É promovermos a quebra ou avaria de algum equipamento na empresa, a fim de termos algumas horas de folga.
É mentirmos perante as autoridades, desejando favorecer a uns e outros em processos litigiosos. Naturalmente, para ser agradáveis a ditos amigos que, dizem, quando precisarmos, farão o mesmo por nós.
Corrupção é aplaudir nosso filho que nos apresenta notas altas nas matérias, mesmo sabendo que ele as adquiriu à custa de desavergonhada cola.
E que dizer dos que nos oferecemos para fazer prova no lugar do outro? Ou realizar toda a pesquisa que a ele caberia fazer?
Sério, não?
Assim, a partir de agora, passemos a examinar com mais vagar tudo que fazemos.
Mesmo porque, nossos filhos têm os olhos postos sobre nós e nossos exemplos sempre falarão mais alto do que nossas palavras.
Desejamos, acaso, que a situação que vivemos em nosso país tenha prosseguimento?
Ou almejamos uma nação forte, unida pelo bem, disposta a trabalhar para progredir, crescer em intelecto e moralidade?
Em nossas mãos, repousa a decisão.
Se desejarmos, podemos iniciar a poda da corrupção hoje mesmo, agora.
E se acreditamos que somente um de nós fazendo, tudo continuará igual, não é verdade. Os exemplos arrastam.
Se começarmos a campanha da honestidade, da integridade, logo mais os corruptos sentirão vergonha.
Receberão admoestações e punições, em vez de aplausos.
E, convenhamos, se não houver quem aceite a corrupção, ela morrerá por si mesma.


Pensemos nisso. E não percamos tempo.
Na qualidade de pais, nos preocupamos em ensinar aos filhos a cuidar dos seus pertences. Contudo, por vezes, vamos a extremos. Principalmente, quando se trata de brinquedos.
Esquecemos que tudo se desgasta com o uso e brinquedos são feitos para brincar. Nunca para ficarem guardados em prateleiras e armários, intocáveis, aguardando o passar dos anos. Não são troféus, são brinquedos.
A prudência e o zelo têm seu lugar. Também a experiência e a curiosidade e, grande sabedoria é saber a diferença entre uns e outras.
Um jovem pai aprendeu isso quando, certo dia, após passar a tarde de verão brincando no parque e nadando na piscina do clube, seu filho de cinco anos apareceu com o corpo coberto de pintas vermelhas.
A esposa pensou ser sarampo e como tinham agendado consulta com o pediatra, para o dia seguinte, não se preocuparam.
Durante a consulta, os pais notaram vários hematomas nas pernas do menino.
A médica os encaminhou ao hospital para exames mais detalhados. O medo invadiu o coração de pai e mãe.
O diagnóstico foi púrpura trombocitopênica idiopática, uma doença que faz com que o baço destrua as plaquetas responsáveis pela coagulação do sangue.
Se piorasse, o garoto poderia sangrar internamente até a morte. Só o tempo diria se ele conseguiria superar a crise.
Três dias depois da internação hospitalar, o pai decidiu ir comprar um brinquedo para o filho. Sabendo do seu gosto por carros, escolheu um conversível amarelo.
Ao se encaminhar para o caixa, a fim de pagá-lo, pensou que nas mãos de um garoto de cinco anos, não duraria muito. Logo, concluiu:
E daí, se as portas se quebrarem e as rodas caírem? Se isso acontecer, é porque ele está vivo e saudável.
O carrinho amenizou os longos dias de internação do menino. A crise foi superada.
O conversível amarelo está na prateleira do quarto dele. As rodas caíram, as portas estão quebradas e o cromado todo descascado.
O pai olha para o brinquedo e sorri. Nos últimos anos seu filho tem passado bem. Sua doença misteriosa se foi.
E ele aprendeu que há objetos que podem ser substituídos, se necessário.
Hoje, se um dos seus três filhos quebra alguma coisa ou gasta de tanto brincar, não o repreende. Prefere comemorar a sua infância.
O esqueleto do que foi um lindo carrinho, o pneu careca da bicicleta, as peças perdidas do jogo, tudo isso demonstra que naquela casa vivem meninos sadios e felizes.
Aquele pai aprendeu que o seu relacionamento com seus filhos e sua mulher é o que deve durar para sempre. Com pequenas perdas, por excesso de uso, ele pode muito bem conviver.
*   *   *
Aprendamos, nas lides cotidianas, a prezar mais o convívio com os seres amados, o diálogo, a sadia troca de ideias.
Utilizemo-nos dos tempinhos que sobram em um e outro momento para estar um pouco mais com nossos amores.
Nada há tão gratificante quanto observar uma criança crescer, dia a dia. Nada tão compensador quanto lhe observar as conquistas diárias.
E, de todos os prêmios da Terra, o maior de todos será chegar ao final do dia, em casa, e ouvir uma voz gritar: Papai chegou! Mamãe chegou!, enquanto dois braços se enrolam em seu pescoço, apertando forte.
Isso se chama viver em abundância.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo
 
Infância e equilíbrio, de Elliott Van Egmond,
da revista
Seleções Reader’s Digest, de agosto
 de 2003.
Em 18.3.2015.